Serei Santo

textos escritos depois de rezar

  • Deus me proteja da maldade de gente boa.

    Deus me proteja da maldade de gente boa.

    Passando meus dedos pelas contas do terço, me pego analisando situações constrangedoras do passado que me afastaram da igreja. Momentos onde fui humilhado e colocado como piada por quem me fez acreditar em um ambiente seguro. Em um podcast, escutei de outras pessoas que também se afastaram por ter sofrido ataques e humilhações camuflados de piada. Isso me fez correr…

  • Deus não causou o mal na minha vida

    Deus não causou o mal na minha vida

    Passeando na calçada da praia, placas se repetem com o mesmo aviso, sinalizando o risco de entrar no mar por ter tubarões e a grande possibilidade de sofrer uma mordida. Algo assim poderia levar à morte. Em Recife, as pessoas insistem em entrar no mar. A escolha e o desejo de tomar banho se sobrepõe à perda da vida, fazendo…

  • Precisei parar antes que o coração esquecesse o caminho.

    Precisei parar antes que o coração esquecesse o caminho.

    O sol quente, em plena terça-feira, dificultava visualizar os carros e os semáforos no fundo. Eu só imaginava que aquele dia seria um domingo perfeito, porém o destino estava sendo outro. Mais um dia de trabalho que antes era gratificante, depois de um mês, virou vontade de ficar em casa. Observando o efeito do calor no ar, um pensamento absurdo…

Meu retorno para Deus começou pelas mudanças.

Eu me encontrei em uma fase da vida em que percebi a banalidade se sobrepondo às minhas qualidades. Apagando características a ponto de me perder caso alguém me perguntasse quem eu sou. E quando temas como amor próprio iniciava em uma mesa de bar, o sentimento de angústia se alastrava ao perceber o quanto eu me perdi em pontos específicos que antes eram conclusos.

A vida adulta chegou – faz tempo – e a rotina me tornou um robô. Doses de alcatrão me ajudavam a aliviar a rotina que eu nunca desejei. Horários exaustivos, repetição entediante que me fazia corroer por dentro. Em uma das noites vazias, olhei para o copo de cerveja conversando com outro desconhecido, vendo as palavras dele caírem dentro do meu copo. Observei cada uma delas se afogando e lembrei de tantas outras que ali morreram e foram ignoradas por mim ao dar descarga.

Então uma frase se destacou.

Aquilo foi na alma. Da mesma forma que eu não saberia responder quem eu era, também me vi perdido em responder o que eu tanto procurava nessas andanças. Aquela conversa se encaminhou para algo que eu não percebia: eu realmente frequentava diversos lugares em busca de algo, mas buscava em lugares errados. Eram caminhadas sem fim; arrodeios em mesas de bar em vão. Só percebia o vazio em casa. Sozinho.

O mundo tirou peças do meu quebra-cabeça, ao ponto de eu não saber mais me definir. Parei para refletir sobre o que mudou na minha vida. O que fez perder minha identidade? Refleti muito sobre a resposta que eu já sabia, mas o mundo ensinou-me a rejeitar o que já estava claro. Antes, eu tinha compromisso com Cristo. E Cristo era o meu tudo.

Com distanciamento da Igreja, surgiram amizades e ambientes novos. Eu, como todo adolescente rebelde, achava que ninguém poderia fazer minha cabeça. O que eu aprendi? Mudei por conta do meio, sem perceber. Relevei situações e, logo depois, normalizei comportamentos que antes eu tinha a convicção de que eram errados. Com o passar do tempo, a bola de neve cresceu e Deus se tornou distante. Os problemas foram sendo normalizados e se impregnando na minha vida, tornando-se cada vez maiores, enquanto Deus se tornava pequeno por eu me afastar da sua presença.

“Vou me levantar e irei a meu pai, e lhe direi: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados.” Lc 15 18-19

Os inícios na minha vida foram paliativos. É preciso mudar o ambiente, as pessoas e tudo o que interfere no caminho de volta a Deus. Praticar a vida em Cristo era o que faltava, não de forma esporádica e inconsistente, para quem pode mergulhar em um mar de amor e adorar Aquele quem me criou, e, ao mesmo tempo, elaborar o amor que tenho pela criação dele: eu.

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