Vendo a imagem de São Francisco De Assis e suas roupas, não dá para imaginar que seu espírito de servidão seria atemporal. O santo que cortou os prazeres do mundo, foi capaz de renegar a riqueza da família a ponto de doar tudo para reformar uma igreja que caía aos pedaços. Aos pobres, não se contentava em dar aquilo que os mendigos apenas pediam com clemência, sempre achava pouco o que tinha para compartilhar e nutria a necessidade de dar mais. O Santo se fez nu de espírito e de herança para ter uma vida seguida pelo Espírito Santo e nada disso ocorreria, se ele não fosse destemido em ser obediente com o plano de Deus. O espírito de oferta e servidão viveu nele de forma natural e constante.
Suas atitudes que aparentam ser simples, mas grandes, não o acompanharam desde o nascimento. Alguns autores relatam sua trajetória nos excessos dos prazeres mundanos durante a juventude. Contudo, acreditando que seu destino fosse servir em guerras, foi necessária a mão de Deus para norteá-lo. Francisco diz ter escutado uma voz – sinal que aconteceu quando estava enfermo em uma guerra -, tendo assim o ponto de partida para compreender seu chamado.
Mansidão, gentileza e paciência eram atributos presentes em sua relação com as pessoas marginalizadas. Francisco, sendo humano como nós somos, foi exemplo. As mesmas necessidades que passamos, ele passou. Do mesmo jeito que Deus precisou interceder por ele, temos a certeza que fará por nós. As atitudes deste Santo parecem ser simples quando escritas, todavia, na prática diária, é preciso perseverança, renúncia e força que se obtém na oração.
Modelo de controle nos desejos carnais, pois a vida entregava os excessos de bandeja, principalmente por vir de família rica e ter acesso fácil ao que o mundo proporciona. Entretanto, renunciou a tudo, inclusive a si mesmo. Colocando a vontade do espírito santo em primeiro lugar. Tendo fé diante da necessidade dos doentes que todos temiam em chegar perto. Os leprosos andavam com um sino, como aviso para ninguém se aproximar, mas diferente de todos, ele se aproximou e os beijava, lavava suas feridas e removia as carnes apodrecidas. Sempre solícito com o o outro a ponto de não se importar que se prejudicaria vendo o outro já prejudicado.
[…] intercâmbio espiritual começa pelo desprezo do mundo e que para alguém ser soldado de Cristo é preciso já ter conseguido a vitória sobre si mesmo.
O Santo se desfez de tudo que lhe dava prestígio e prazer sem propósito. Entendeu que o amor de si só poderia ser visto na atitude que se demonstra pelo outro. Se desprendeu de tudo, até da família. Ficou completamente despido entregando tudo que tinha ao pai na frente da autoridade religiosa, quando seu pai tentou fazer com que ele fosse punido, por vender seu material para reformar uma igreja e ajudar os pobres. Levou pedrada, foi chamado de lunático – tudo isso por se empobrecer de corpo e alma para trilhar o caminho de cristo.
Por séculos, a história de São Francisco é modelo a ser seguido e colocado em prática na vida de homens e mulheres de diversas formas. Existem pessoas que participam de sua ordem (os franciscanos) ou que trouxeram fragmentos de sua trajetória para a vida pessoal ou em comunidade. É o que ocorre na Comunidade Católica Shalom, que semeia em seu carisma atributos da caminhada do Santo. Dante Alighieri admirava-o por sua renúncia ao poder e à riqueza, além do seu amor aos pobres. Em sua obra, Divina Comédia, dedicou um dos capítulos na parte do Paraíso a ele. Retratou-o como um dos maiores exemplos de santidade da Igreja.



