Passeando na calçada da praia, placas se repetem com o mesmo aviso, sinalizando o risco de entrar no mar por ter tubarões e a grande possibilidade de sofrer uma mordida. Algo assim poderia levar à morte. Em Recife, as pessoas insistem em entrar no mar. A escolha e o desejo de tomar banho se sobrepõe à perda da vida, fazendo a opção de nadar em locais não permitidos, mas rezando para que Deus as ajude a evitar os resultados das próprias ações. Em casa, vendo o noticiário, me pego julgando-as: “É simples, basta não entrar na água!” Calma. Qual propriedade eu tenho para fazer tal julgamento? Para alguns, a fonte de desejo acaba sendo o mar, para outros, podem ser: jogos de aposta, álcool, drogas, cigarro, sexo, entre outras ações estimuladoras de dopamina.
Sem ter consciência, no passado já tive conversas com Deus julgando-o por tanto sofrimento. Como se ele fosse o idealizador de todas as coisas ruins na minha vida, mas na verdade, eram frutos produzidos por mim ou por terceiros. Recentemente, tem ganhado destaque o caso Henry Borel. Nele, a mãe da criança recebe perdão judicial, apesar de não ter optado em proteger o próprio filho. Uma criança que, antes de morrer, sofria com o espancamento dentro de casa. Uma criança inocente sofreu os danos ocorridos pelas mãos de um homem, não por Deus.
Me pego revivendo o passado. Com quem me relacionei, nas festas onde frequentei; dos efeitos das pessoas na minha vida; das implicações por ter ignorado minha intuição; das sequelas plantadas por mim ou ocasionadas por outra pessoa. Das complicações a qual optei por ter recusado escutar a voz da minha mãe ou a de Deus.
E onde está Deus? Na lavagem das feridas. Segurando minha mão da mesma forma como uma mãe cuida do seu filho em condições esdrúxulas. Refazendo os pedaços da alma retirados pelas implicações do caminho. A rede de apoio que ninguém enxerga. Esse amor está no processo de anteceder os fatos, por exemplo, nos atentando para impor limites dizendo um simples “não”. A consolidação da minha fé, está no meu posicionamento contra o mundo. Para eu poder me fortalecer antes que o outro me enfraqueça.



