Eu me encontrei em uma fase da vida em que percebi a banalidade se sobrepondo às minhas qualidades. Apagando características a ponto de me perder caso alguém me perguntasse quem eu sou. E quando temas como amor próprio iniciava em uma mesa de bar, o sentimento de angústia se alastrava ao perceber o quanto eu me perdi em pontos específicos que antes eram conclusos. read the page
A vida adulta chegou – faz tempo – e a rotina me tornou um robô. Doses de alcatrão me ajudavam a aliviar a rotina que eu nunca desejei. Horários exaustivos, repetição entediante que me fazia corroer por dentro. Em uma das noites vazias, olhei para o copo de cerveja conversando com outro desconhecido, vendo as palavras dele caírem dentro do meu copo. Observei cada uma delas se afogando e lembrei de tantas outras que ali morreram e foram ignoradas por mim ao dar descarga.
Então uma frase se destacou.
– O que tanto tu procura?
Aquilo foi na alma. Da mesma forma que eu não saberia responder quem eu era, também me vi perdido em responder o que eu tanto procurava nessas andanças. Aquela conversa se encaminhou para algo que eu não percebia: eu realmente frequentava diversos lugares em busca de algo, mas buscava em lugares errados. Eram caminhadas sem fim; arrodeios em mesas de bar em vão. Só percebia o vazio em casa. Sozinho.
O mundo tirou peças do meu quebra-cabeça, ao ponto de eu não saber mais me definir. Parei para refletir sobre o que mudou na minha vida. O que fez perder minha identidade? Refleti muito sobre a resposta que eu já sabia, mas o mundo ensinou-me a rejeitar o que já estava claro. Antes, eu tinha compromisso com Cristo. E Cristo era o meu tudo.
Com distanciamento da Igreja, surgiram amizades e ambientes novos. Eu, como todo adolescente rebelde, achava que ninguém poderia fazer minha cabeça. O que eu aprendi? Mudei por conta do meio, sem perceber. Relevei situações e, logo depois, normalizei comportamentos que antes eu tinha a convicção de que eram errados. Com o passar do tempo, a bola de neve cresceu e Deus se tornou distante. Os problemas foram sendo normalizados e se impregnando na minha vida, tornando-se cada vez maiores, enquanto Deus se tornava pequeno por eu me afastar da sua presença.
“Vou me levantar e irei a meu pai, e lhe direi: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados.” Lc 15 18-19
Os inícios na minha vida foram paliativos. É preciso mudar o ambiente, as pessoas e tudo o que interfere no caminho de volta a Deus. Praticar a vida em Cristo era o que faltava, não de forma esporádica e inconsistente, para quem pode mergulhar em um mar de amor e adorar Aquele quem me criou, e, ao mesmo tempo, elaborar o amor que tenho pela criação dele: eu.



